CAMPONESES OCUPAM RUAS E PRÉDIO PÚBLICO NO MARANHÃO

julho 11, 2022 0


O dia 06 de julho de 2022, foi marcado por um grande ato público realizado por centenas de camponesas e camponeses na capital do Maranhão, São Luís. 

Vindos de várias regiões do estado, e tendo algumas caravanas viajado mais de 8 horas para chegar ao destino, os lavradores ocuparam importantes vias públicas da cidade e também o prédio do Instituto de Colonização e Terras do Maranhão – ITERMA, onde realizaram audiência pública com representantes do governo, notadamente as Secretarias de Direitos Humanos, Meio Ambiente e Presidência do ITERMA.

A articulação do ato foi realizada pelo movimento popular Fóruns e Redes de Cidadania - FRC, que é constituído pela representação das diversas comunidades presentes. Na programação da atividade, o período da manhã foi dedicado para realização de uma Assembleia Popular, realizada na sede recreativa do Sindicato dos Bancários do Maranhão, momento que fizeram uso da fala outras organizações que apoiam a iniciativa, como a CSP – Conlutas, PSTU – Partido dos Trabalhadores Unificados e a Agência Tambor, que transmitiu a assembleia ao vivo em sua página no You Tube.        

E logo no início da tarde, os camponeses seguiram em marcha pelas ruas, ocupando completamente uma das vias mais movimentada da cidade, a Av. Luís Rei de França, culminando com a ocupação do prédio do ITERMA. A marcha foi marcada por palavras de ordens, músicas populares e vários discursos de críticas ao governo Dino/Brandão.

A principal reivindicação dos camponeses era a regularização fundiária de suas posses, pedidos que tramitam há décadas no ITERMA, sem o estado apresentar uma solução. De forma sucessiva várias lideranças camponeses cobraram do governo do estado uma solução para os graves problemas vividos pelo povo do campo.

O Estado do Maranhão, tem sido apontado como um dos lugares do país com o maior índice de conflitos pela posse da terra, o que tem gerando um clima de crescente violência no campo com destruição do meio ambiente de vários territórios, ameaças e assassinato de lideranças camponesas. 

Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra – CPT, em 2021, o Maranhão foi o 2º estado que mais registrou conflitos relacionados à questão agrária, tendo ocorrido 9 assassinatos de lideranças camponesas, principalmente em áreas quilombolas. Em Arari, uma das cidades presentes no ato do dia 06, nos últimos dois anos, 5 lavradores tiveram suas vidas ceifadas por pistoleiros a mando do latifúndio. 

Já era noite quando a audiência terminou na sede do ITERMA. No final as entidades camponesas e os representantes do governo estadual assinaram documento público e que contém vários compromissos do governo. A palavra dada pelos camponeses presentes é que a luta seguirá sem tréguas contra o latifúndio e o agronegócio.
Viva a luta camponesa!
Terra para quem nela trabalha!

JORNALISTA:JOSINALDO SOARES REGISTRO:0001662/MA
FONTE:REDE E FÓRUNS DA CIDADANIA 

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