A comunidade da Vila São Raimundo, conhecida popularmente como “Cabeça Gorda”, no município de São Pedro da Água Branca, vive dias de revolta e tensão após graves denúncias envolvendo o autoproclamado líder comunitário Josaias Silva da Cruz, conhecido como “Josaias”, e o presidente da Cooperativa COPAIBA, João Neto.
Segundo denúncias recebidas pelo blog, os dois estariam articulando uma verdadeira manobra nos bastidores para tentar retirar da ASPROVILA o controle do projeto habitacional Minha Casa Minha Vida destinado aos moradores da comunidade ribeirinha.
De acordo com relatos de beneficiários, Josaias estaria percorrendo a comunidade recolhendo assinaturas de moradores sem qualquer explicação clara sobre os documentos apresentados. Muitos teriam sido induzidos a acreditar que as assinaturas serviriam apenas para acelerar o início das obras das casas ou garantir acesso ao material de construção.
Porém, segundo as denúncias, a verdadeira intenção seria filiar os moradores à recém-criada Associação dos Produtores Rurais, Pescadores Ribeirinhos e Artesãos (APRORPAB), entidade criada recentemente e que agora tenta assumir o direcionamento do projeto habitacional.
PASSADO POLÊMICO VOLTA À TONA
As acusações contra Josaias não seriam novidade na comunidade. Moradores relembram um antigo projeto de horta comunitária financiado pela Companhia Vale, onde, segundo denúncias, cerca de 19 produtores teriam sido incluídos como beneficiários de recursos avaliados em aproximadamente R$ 15 mil para cada participante.
Entretanto, conforme relatos obtidos pelo blog, a horta acabou sendo implantada no quintal da residência de Josaias e apenas duas pessoas ligadas diretamente a ele teriam tido acesso ao projeto. Os demais participantes afirmam nunca terem recebido os benefícios prometidos.
A denúncia agora levanta suspeitas de que a mesma prática estaria sendo repetida, desta vez envolvendo um programa habitacional federal voltado para famílias humildes da região.
ASSOCIAÇÃO CRIADA SEM TRANSPARÊNCIA
Outro ponto que chama atenção nas denúncias é a forma como a APRORPAB teria sido criada. Segundo moradores, não houve reuniões abertas, prestação de esclarecimentos ou qualquer debate transparente com a população antes da coleta das assinaturas.
Muitos beneficiários afirmam que sequer sabiam que estavam assinando documentos de associação.
“Tem gente que assinou sem saber nem o que estava no papel”, relatou um morador indignado ao blog.
As denúncias apontam ainda que toda a articulação teria apoio de um conhecido construtor da cidade e de outras pessoas influentes que estariam atuando nos bastidores para assumir o controle do projeto.
PROMESSA DE CARRO E SUPOSTOS INTERESSES OCULTOS
Informações obtidas pelo blog indicam ainda que Josaias teria recebido promessa de um veículo por parte do construtor envolvido na articulação caso conseguisse transferir o projeto para a nova associação.
A denúncia aumentou ainda mais a revolta da população, que acusa o grupo de tentar usar famílias simples e pessoas de pouca instrução como instrumento de interesses pessoais.
COMUNIDADE PEDE INVESTIGAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO
Diante da gravidade das acusações, moradores cobram uma investigação urgente do Ministério Público sobre a criação da APRORPAB, a coleta de assinaturas e a possível tentativa de manipulação dos beneficiários do Minha Casa Minha Vida.
O clima na comunidade é de indignação e desconfiança.
“Até quando vão continuar enganando o povo humilde?”, questionou um morador.
Enquanto isso, a população segue vigilante e cobrando transparência para que os direitos dos verdadeiros beneficiários não sejam usados como moeda de troca em interesses políticos e pessoais.
JORNALISTA:JOSINALDO SOARES
REGISTRO:0001662/MA